Empresas usam IA como justificativa para má gestão e demissões em massa, dizem analistas

A inteligência artificial tem sido cada vez mais citada por empresas como justificativa para demissões em massa, mas analistas alertam que, em muitos casos, a tecnologia funciona apenas como uma cortina de fumaça para problemas internos e decisões financeiras impopulares. Um relatório recente da consultoria Forrester indica que diversas companhias anunciam cortes de pessoal alegando substituição por IA, mesmo sem possuírem sistemas capazes de assumir, de forma autônoma, as funções dos trabalhadores desligados. A prática ficou conhecida como “AI-washing”, termo usado para descrever quando empresas exageram ou distorcem o papel da IA para parecerem inovadoras. De acordo com especialistas, atribuir demissões à automação é uma estratégia conveniente para o mercado financeiro. Em vez de admitir falhas de planejamento, queda de receita ou má gestão, os executivos conseguem transformar um anúncio negativo em uma narrativa de modernização e eficiência. Para analistas ouvidos pela imprensa internacional, essa abordagem transmite aos investidores a ideia de que a empresa está se antecipando ao futuro, quando, na realidade, busca apenas reduzir custos e preservar caixa. Dados de consultorias de mercado mostram que a menção direta à inteligência artificial em anúncios de demissões cresceu significativamente em 2025, somando dezenas de milhares de cortes associados, ao menos no discurso oficial, à adoção da tecnologia. Gigantes do setor de tecnologia aparecem com frequência nesses comunicados. Empresas como Amazon, Meta, HP e Pinterest anunciaram desligamentos vinculados a realocações de recursos para projetos de IA, mesmo que analistas apontem outros fatores, como investimentos elevados em infraestrutura, data centers ou prejuízos acumulados em áreas estratégicas. Apesar da narrativa dominante, especialistas acreditam que muitas dessas demissões podem ser revertidas nos próximos anos. A Forrester estima que uma parcela significativa dos cortes atribuídos à IA será desfeita até 2026, à medida que as empresas percebam perdas de produtividade ao substituir pessoas por sistemas que ainda não funcionam de forma totalmente independente. A projeção é que a inteligência artificial impacte uma fração limitada dos empregos na próxima década, atuando principalmente como ferramenta de apoio e ampliação da capacidade humana, e não como substituta direta da maioria dos profissionais.

Vivo passa a cortar Wi-Fi de clientes inadimplentes no Vivo Fibra

A Vivo iniciou, em fevereiro, uma mudança significativa nas regras do serviço Vivo Fibra: clientes que atrasarem o pagamento poderão ter o Wi-Fi desativado, enquanto a conexão cabeada via Ethernet continuará funcionando. Segundo as novas condições contratuais, o Wi-Fi passa a ser classificado como um bônus vinculado à adimplência, ou seja, disponível apenas para quem mantém as faturas em dia. A operadora já começou a comunicar os clientes sobre a atualização, que passa a valer para os planos atuais migrados para as novas ofertas. Na prática, o consumidor inadimplente ainda conseguirá acessar a internet conectando o computador diretamente ao modem com um cabo de rede. No entanto, dispositivos que dependem exclusivamente de Wi-Fi — como celulares, smart TVs e assistentes inteligentes — ficarão sem acesso enquanto houver pendências financeiras. A Vivo afirma que o cliente será notificado antes de qualquer bloqueio. O desligamento do Wi-Fi não acontece de forma imediata: a operadora precisa respeitar um prazo mínimo de 15 dias, conforme estabelece o Regulamento Geral de Direitos do Consumidor (RGC) da Anatel, atualizado em setembro de 2025. Caso a dívida não seja quitada, o serviço poderá ser totalmente suspenso, incluindo também a conexão via cabo. Essa não é a primeira vez que a Vivo tenta endurecer as regras para clientes inadimplentes. Em 2025, a empresa chegou a reformular seus contratos tratando grande parte da velocidade contratada como “bônus”, medida que gerou repercussão negativa e levou a ajustes após intervenção da Anatel. Agora, fontes do setor indicam que a operadora estaria adotando uma abordagem alinhada com o órgão regulador, desde que a informação sobre o Wi-Fi como benefício adicional seja apresentada de forma clara e transparente ao consumidor.